Despesismo desportivo, desígnio nacional
" Já lá vai um ano depois do que se profetizava ser um desígnio nacional para mostrar ao mundo a modernidade de Portugal - o Euro 2004. Desde então é inequívoco, em jogos normais da SuperLiga e amigáveis, que muitos dos lugares ficam por preencher e não terão a mínima rendibilidade no futuro. De todos os estádios, só os de Lisboa e Porto apresentam níveis minimamente satisfatórios.
O estádio de Leiria custou 80 milhões de euros, mas os próximos 20 anos serão marcados por uma dívida de 600 mil euros, a que acresce um milhão de euros só em custos de manutenção anuais. Mesmo junto ao estádio existe uma pequeníssima escola que, pelo excesso de alunos, tem de ter dois turnos, e muitas aldeias, circundantes ainda não sabem o que é saneamento básico.
O estádio de Aveiro, cujo clube está na divisão de honra, recebe semanalmente três mil pessoas, quando muitas famílias vivem ainda no limiar da pobreza.
Em Guimarães, o antigo presidente da câmara utilizava o estádio em cartazes de campanha eleitoral - o estádio, em si, só tem utilidade para um único clube, com 16 mil espectadores de média.
Em Coimbra, também o estádio será pago nos próximos20 anos, em tranches nada suaves de dois milhões de euros.
O estádio de Braga, com um custo real 100 por cento acima do incialmente previsto, só tem capacidade para futebol e o clube apenas paga mil euros de renda, enquanto abunda a poluição no rio da cidade.
Como é do conhecimento geral, o estádio do Algarve é o exemplo geral mais destrambelhado de todos: custou 66 milhões, com duas equipas do escalão mais baixo do futebol a jogar e 600 mil euros anuais de dívida à banca. Para além de se encontrar no meio de um descampado, só encheu cinco vezes (Euro
incluído), enquanto as populações do Algarve esperam por um hospital central.
Depois de um nacionalismo fingido (alguém viu mais alguma bandeira hasteada após o torneio?), criaram-se verdadeiros buracos negros na economia nacional. E a verosímil candidatura de Portugal à realização dos Olímpicos de 2016 roça o escandaloso, porque à excepção dos estádios de Leiria e Coimbra, nenhum dos outros dispõe de pista junto ao relvado.
O mesmo José Sócrates que agora pede sacrifícios e garante que "o pior ainda não passou", foi o mesmo que impulsionou esta candidatura ao Euro, que se torna ainda mais incompreensível quando se sabe que quatro estádios seriam suficientes. Onde está o estádio municipal de Lisboa e do Porto? Foram as rivalidades que ditaram estádios diferentes ou a teimosia e o despesismo terceiro-mundistas? Porquê tanta falta de planeamento?
E convém lembrar que foram José Sócrates, Gilberto Madaíl, Carlos Cruz, entre outros, que contribuíram para esta cruz pesada que carregaremos até 2025. Certo é que suaremos mais que Sócrates numa qualquer maratona, mas podemos sempre pedir asilo, fugir pelo aeroporto da Ota ou por uma estação de TGV, porque quando chegarmos podemos sempre anunciar uma candidatura autárquica na esquadra mais próxima. "
Carta do cidadão Fernando Conceição publicada pelo PÚBLICO de 7 Novembro 2005

monstro ao abandono

ups, outro...

olha, mais um...
O estádio de Leiria custou 80 milhões de euros, mas os próximos 20 anos serão marcados por uma dívida de 600 mil euros, a que acresce um milhão de euros só em custos de manutenção anuais. Mesmo junto ao estádio existe uma pequeníssima escola que, pelo excesso de alunos, tem de ter dois turnos, e muitas aldeias, circundantes ainda não sabem o que é saneamento básico.
O estádio de Aveiro, cujo clube está na divisão de honra, recebe semanalmente três mil pessoas, quando muitas famílias vivem ainda no limiar da pobreza.
Em Guimarães, o antigo presidente da câmara utilizava o estádio em cartazes de campanha eleitoral - o estádio, em si, só tem utilidade para um único clube, com 16 mil espectadores de média.
Em Coimbra, também o estádio será pago nos próximos20 anos, em tranches nada suaves de dois milhões de euros.
O estádio de Braga, com um custo real 100 por cento acima do incialmente previsto, só tem capacidade para futebol e o clube apenas paga mil euros de renda, enquanto abunda a poluição no rio da cidade.
Como é do conhecimento geral, o estádio do Algarve é o exemplo geral mais destrambelhado de todos: custou 66 milhões, com duas equipas do escalão mais baixo do futebol a jogar e 600 mil euros anuais de dívida à banca. Para além de se encontrar no meio de um descampado, só encheu cinco vezes (Euro
incluído), enquanto as populações do Algarve esperam por um hospital central.
Depois de um nacionalismo fingido (alguém viu mais alguma bandeira hasteada após o torneio?), criaram-se verdadeiros buracos negros na economia nacional. E a verosímil candidatura de Portugal à realização dos Olímpicos de 2016 roça o escandaloso, porque à excepção dos estádios de Leiria e Coimbra, nenhum dos outros dispõe de pista junto ao relvado.
O mesmo José Sócrates que agora pede sacrifícios e garante que "o pior ainda não passou", foi o mesmo que impulsionou esta candidatura ao Euro, que se torna ainda mais incompreensível quando se sabe que quatro estádios seriam suficientes. Onde está o estádio municipal de Lisboa e do Porto? Foram as rivalidades que ditaram estádios diferentes ou a teimosia e o despesismo terceiro-mundistas? Porquê tanta falta de planeamento?
E convém lembrar que foram José Sócrates, Gilberto Madaíl, Carlos Cruz, entre outros, que contribuíram para esta cruz pesada que carregaremos até 2025. Certo é que suaremos mais que Sócrates numa qualquer maratona, mas podemos sempre pedir asilo, fugir pelo aeroporto da Ota ou por uma estação de TGV, porque quando chegarmos podemos sempre anunciar uma candidatura autárquica na esquadra mais próxima. "
Carta do cidadão Fernando Conceição publicada pelo PÚBLICO de 7 Novembro 2005

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ups, outro...

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